sexta-feira, 16 de maio de 2014

:O Presente Devolvido

Perto de Tóquio vivia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. 

Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. 

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós? 

- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? 

- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos. 

- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse o mestre - Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir...

O Sábio e a Serpente

Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com olhar sereno, e falou: 

- Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. A víbora recolheu-se, envergonhada. 

Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. 

Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se a toca, desalentada. 

Eis, porém, que o santo homem voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. 

A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la: 

- Mas minha irmã, houve engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Que tipo de pessoa vive nesse lugar?

Conta uma popular lenda, que pela manhã, um jovem chegou à beira de um oásis no deserto, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe: 

- Que tipo de pessoa vive neste lugar? 

- Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - perguntou por sua vez o ancião. 

- Oh, um grupo de egoístas e arrogantes - replicou o rapaz - estou satisfeito de ter saído de lá. 

- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui replicou o velho.

No mesmo dia, à tarde, um outro jovem se aproximou do oásis para beber água e, vendo o ancião, perguntou-lhe: 

- Que tipo de pessoa vive por aqui? 

O velho respondeu com a mesma pergunta:

- Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? 

O rapaz respondeu:

- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.

- O mesmo encontrará por aqui - respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho: 

- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?

Ao que o velho respondeu: 

- Cada um carrega no seu coração um pouco do ambiente em que vive. Todos os lugares têm todos os tipos de pessoas: boas e más, egoístas e caridosas, tristes e alegres... Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que por onde passou encontrou amigos, também encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto. Devemos cultivar sentimentos bons, praticar a caridade e a humildade. Assim, se aproximarão de nós pessoas que agem da mesma forma. Nossa passagem aqui na terra é curta. Devemos deixar sempre o melhor de nós.

(autor desconhecido)

Subindo no ônibus

Um dia um homem já de certa idade abordou um ônibus. Enquanto subia, um de seus sapatos escorregou para o lado de fora... A porta se fechou e o ônibus saiu; então ficou incapaz de recuperá-lo. O homem terminou de subir a escada, calçando um só sapato, procurou a primeira janela aberta, retirou seu outro sapato e jogou-o pela janela.

Um rapaz no ônibus, vendo o que aconteceu, perguntou:

- Notei o que o senhor fez. Por que jogou fora seu outro sapato?

O homem prontamente respondeu:

Para que quem os encontrar seja capaz de usá-los. Provavelmente apenas alguém necessitado dará importância a um par de sapatos usados encontrados na rua. E de nada lhe adiantará apenas um pé de sapato.

O homem mostrou ao jovem que não vale a pena agarrar-se a algo simplesmente por possuí-lo e nem porque você não deseja que outro o tenha. Perdemos coisas o tempo todo. A perda pode nos parecer penosa e injusta inicialmente, mas a perda só acontece para que mudanças, na maioria das vezes positivas, possam ocorrer em nossa vida.

Como o homem da história, nós temos que aprender a se desprender. Alguma força decidiu que era hora daquele homem perder seu sapato. Talvez isto tenha acontecido para iniciar uma série de outros acontecimentos bem melhores para o homem do que aquele par de sapatos poderia proporcionar. Talvez uma nova e forte amizade com o rapaz no ônibus. Talvez aquele rapaz precisasse presenciar aquele acontecimento para adotar uma ação semelhante. Talvez a pessoa que encontrou os sapatos tenha, a partir daí, uma forma de proteger os pés. Seja qual for a razão, não podemos evitar perder coisas. O homem sabia disto. Um de seus sapatos tinha saído de seu alcance. O sapato restante não mais lhe ajudaria, mas seria um ótimo presente para uma pessoa desabrigada, precisando desesperadamente de proteção do chão. Acumular posses não nos faz melhores e nem faz o mundo melhor. Todos temos que decidir constantemente se algumas coisas devem manter seu curso em nossa vida ou se estariam melhor com os outros.

(autor desconhecido)

Compartilhei esta mensagem para que possamos refletir não apenas sobre como tratar nossas perdas, mas para que pensemos que não é preciso que percamos algo para aprendermos a nos desapegar e doar. Se ainda não aprendemos a fazer isso, então que as perdas nos ensinem a nos desapegar, ao menos, do que insistimos em reter conosco...

A borboleta azul

Havia no alto da montanha um sábio. Diariamente, pessoas de todo o reino subiam a montanha para fazer perguntas ao sábio, que pacientemente atendia a todos.

E havia dois jovens garotos que sempre iam até o sábio, com a intenção de fazer perguntas para as quais o sábio não tinha resposta. Mas para todas as perguntas, o sábio encontrava uma resposta. Isso se repetia por semanas, meses...

Impacientes com o sábio, os garotos resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder. Então, um deles apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.

- O que você vai fazer? - perguntou o outro garoto.

- Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta. Se o sábio disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar. Mas se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim, qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!

Os dois garotos foram então ao encontro do sábio, que estava meditando.

Ao chegar, o garoto logo disse:

- Tenho aqui em minhas mãos uma borboleta azul. Diga-me, sábio, ela está viva ou morta?

Calmamente o sábio sorriu e respondeu:

- Depende de você. A resposta está em suas mãos.

Assim é a nossa vida, nosso presente e nosso futuro. Nós somos os responsáveis. Nossa vida está em nossas mãos, como a borboleta. Cabe a nós escolher o que fazer com ela.

(sabedoria indiana)

A pérola

Vitor era um garoto de dez anos de idade. Era divertido e estava sempre alegre.

Mas um dia chegou em casa muito triste, por algo que aconteceu na escola e que o magoou demais. Não quis almoçar, se fechou no quarto e não saiu da cama até de noite.

Até que, antes de dormir, seu pai o procurou no quarto:

- O que aconteceu filho?

O garoto respondeu, soluçando de tanto chorar:

- Um menino do colégio fez uma brincadeira que me magoou demais. Estou muito triste, dói até o coração, pai.

O pai, então, resolveu lhe contar uma história:

- Filho, pode estar doendo agora, eu sei, mas pode ser um aprendizado pelo qual você precisa passar. Vou contar-lhe algo sobre as ostras...

Uma ostra que não foi ferida jamais produzirá pérolas. A pérola é uma ferida curada.

Pérolas para as ostras são produtos da dor, resultados da entrada de substâncias estranhas ou indesejáveis no seu interior, assim como um parasita ou um grão de areia.

A ostra possui na parte interna da concha uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra ali, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérola.

Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas?

Nesses momentos lembre-se que a pérola, para uma ostra, é uma ferida cicatrizada!

Então, produza uma pérola. Cubra suas mágoas e rejeições sofridas com camadas e camadas de amor. Crie sua pérola usando o seu amor!

(autor desconhecido)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O pacote de bolachas

Uma moça aguardava seu voo na sala de embarque de um grande aeroporto. Como deveria esperar algumas horas, resolveu comprar um livro para passar o tempo. Comprou também um pacote de bolachas e sentou-se numa poltrona na sala vip do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz.

Enquanto ela lia seu livro, sentou-se ao seu lado um homem. Após algumas páginas, ela pegou a primeira bolacha do pacote. O homem também pegou uma. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada.

A cada bolacha que ela pegava o homem também pegava uma. Aquilo a deixava tão indignada que nem conseguia reagir. Ela só respirava fundo e fazia cara feia. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: "O que será que esse abusado fará agora?"

Então o homem dividiu a última bolacha ao meio deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais! Ela estava explodindo de raiva!

Seu voo é anunciado. Ela pega seu livro e suas coisas e se dirigiu ao embarque. Entra no avião e se acomoda na poltrona. Então, ela abre a bolsa para pegar uma bala. Para sua surpresa o pacote de bolachas estava lá, ainda intacto, fechadinho.

Ela sentiu tanta vergonha! Só então percebeu que a errada era ela. Distraidamente, havia guardado seu pacote de bolachas dentro da bolsa e o homem havia dividido as bolachas dele sem sentir-se indignado, nervoso ou irritado. Infelizmente, já não havia mais tempo para se explicar ou pedir desculpas...

Cuidado, às vezes, nós é que estamos errados e precisamos ter a humildade de admitir. Não julgue as pessoas. Antes de concluir, observe melhor. Talvez as coisas não sejam exatamente como você pensa.

Compartilhei esta conhecida mensagem, para juntos refletirmos sobre seu ensinamento. Espero que gostem.